quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sumário

2017
Processos da Lava Jato
O fim do mundo
Ataque na Síria II
Ataque na Síria I
Conquista da democracia
FHC e João Dória Jr
Coragem, honestidade e verdade
Autofagia intelectual
Estatura, coragem e lucidez
Um único brejo
(Des)governança do Brasil
Maconha, glamourização e realidade
Transformação
Presídios brasileiros

2016
A democracia brasileira
Constituição e os supersalários
Reconstrução da Chapecoense
Virtude ou delito
Ser, pensar, saber e a verdade
O estadista e a liturgia da decisão
Templo da democracia
Pacto humano
Hipotética fuga de Lula
Covardia
Ocupação das escolas
Transformações
IDEIA
Plano estratégico para o Brasil
Lentidão e leniência supremas
Falecimento do Carlos Alberto
Aprendizado na Suprema Corte
Transformações sociais e políticas
Justiça e paz social
Ensinamentos históricos
Os meninos de Brasília
Sonhar para vencer a utopia
Herança ética e espiritual
Protestos furiosos dos lulopetistas
Não tão tarde
Indigência de estadistas e outras
Dilemas corruptivos
Gratidão da sociedade
Blindagem da Operação Lava Jato
A virtude como norma
Contradição do poder
Assalto ao sítio em Atibaia
Brasil surreal
Tempos de resiliência
Patologia social, política e jurídica
Construção de um país solidário e justo
Prevalência da justiça
Pedra fundamental da democracia
Responsabilidade
Pensar com liberdade, atuar com independência

2015
Operação Lava Jato
Os militares e a democracia
A essência da democracia
Golpe institucional
Fronteira do insustentável
Honra e liderança
Canção do Expedicionário e Hino Nacional
A derrota do comunismo no Brasil
Polêmica da irresponsabilidade - III
Polêmica da irresponsabilidade - II
Polêmica da irresponsabilidade - I: Moral, reputação e biografia
Pedaladas e governabilidade
Decência, ética e respeito
ONU Vinci 2015 - Proposta de Resolução #1
ONU Vinci 2015 - Documento de Posição da Alessandra
ONU Vinci 2015 - O Paquistão e as energias renováveis
O ensino e a essência do regime democrático
Legitimidade eleitoral e ética
Mensagem para a Apple
Fatos e factóides -- ética, mentira e corrupção
Mensagem para o sobrinho Giovanni
A verdade
Pais autoritários ou pais com autoridade?
A punição de Neymar e os parafusos trocados
Investimentos chineses no Brasil
O maior jogador de futebol de todos os tempos
Só a mudança é permanente
Sabatina de candidato a Ministro do STF
O nascimento de Laura
Reagir ou piorar
Senso ético de senhoras idosas
Picaretas e achacadores
Velha senhora
Cidadãos, políticos e intelectuais
Cômico se não fosse trágico
Sócrates, Zamperini e Hawking
Clostermann e Saint-Exupéry
Dúvida não-socrática: irritar-se ou não?
Otimismo incorrigível

2014
Distensão Estados Unidos versus Cuba
Práxis política
Autonomia tecnológica e estratégica
Bolsa-esmola e bolsa-caviar
Um salto para frente
Mensalão e pré-salão
Lideranças despreparadas
Hannah Arendt e Marina Silva
A eleição presidencial de 3 de outubro
Satisfação, coincidência e estranheza
De Rochedo para La Rochelle, .... e Bélgica
A grande oportunidade
Zuniga and Neymar - Message to New York Times
Indigência intelectual e pobreza de estadistas
Moral superiority - Message to New York Times
A abertura da Copa do Mundo e as ofensas correlatas
Memórias -- Um brasileiro no dia D e os brasileiros na Itália
A vida oculta de um ditador
Duvido, logo penso, logo existo
Suíte presidencial na Papuda
O flagelo petista (ou a conectividade entre futebol, política, ciência e música)
Coragem intelectual e ética
Por que no te callas?
Demanda-se oposição
Metáfora petista

2013
Quadrilha dos onze
Apenas a verdade
O que pode e o que não pode
Talento, trabalho, produção e poupança
Pensar e inovar
A better notion of History -- Message to New York Times
Uma Cubona

2012
Alternância de poder
Recuperação dos presídios brasileiros
Comissão da verdade
Harmonia, fraternidade e justiça em sintonia com a verdade

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Processos da Lava Jato

Finalmente, o STF determinou a abertura de inquérito contra uma centena de políticos acusados pelo MPF de corrupção no âmbito da Operação Lava Jato — incluindo 5 ex-presidentes da República e alguns auto declarados santos e santas (quem diria? ...). 
Como exercício de formulação hipotética, alguns cenários são cogitados. Em Pequim, em menos de um ano, todos seriam processados, julgados e condenados; alguns à pena capital, outros à prisão perpétua e os demais a penas de reclusão. Em Tóquio, uma parcela expressiva cometeria haraquiri. Em Pyongyong, todos seriam imediatamente fuzilados. Em Havana, em um mês, eles seriam processados, julgados e a grande maioria seria condenada à morte ou à prisão perpétua. Em Nova Iorque, Paris e Curitiba, em menos de dois anos, eles seriam processados, julgados e condenados à pena de reclusão — sendo que no hemisfério Norte, provavelmente, alguns meteriam uma bala na própria cabeça. Em Brasília ... bom, em Brasília, há a possibilidade de eles serem lentamente processados e julgados; podendo alguns serem condenados a pena de reclusão, em um prazo previsível de três a dez anos.

Em face do desdobramento de processos na capital brasileira, por um bom tempo, esses políticos continuarão fazendo parte da elite (sic) dirigente do país. Não são a justiça e a eleição formas de julgamento da democracia? Na falta de uma, prossegue somente com a outra. Então, os melhores cérebros devem imediatamente iniciar uma campanha por todas as redes sociais e demais meios para impedir que os acusados sejam reeleitos ou eleitos para novos cargos em 2018.

O fim do mundo

No encontro de dois rochedenses, ocorre surpreendente diálogo metafísico.
   O mundo vai acabar.
   Vai demorar muito?
   Ah vai. Vai ser daqui um “googolplex” de anos.
Eu explico. Em 1916, Einstein formulou a teoria relativa às ondas gravitacionais, que resultam da colisão de buracos negros.
Um buraco negro é um espaço vazio; de cor negra, isto, é com total ausência de luz; pesado como estrelas e pequeno como cidades. Quando dois buracos negros colidem, ocorre um evento extremamente poderoso, com enorme produção de energia — algo que tem similaridade com o “big bang”, que deu origem ao universo, há mais de 13 bilhões de anos.
Conforme Janna Levin, interpretando a proposição de Einstein, “essa profusão de energia emana de buracos que se coalescem numa forma puramente gravitacional, como ondas na forma de espaço-tempo, como ondas gravitacionais.”
   Elas são parecidas com as ondas do mar?
   Não. A única semelhança é que ambas fazem algum ruído. No final da década de 1960, os gênios Rai Weiss, Kip Thorne e Ron Drever iniciaram, com cientistas e meios do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) e do Instituto de Tecnologia da California (CALTECH), nos Estados Unidos, o processo de obtenção de máquinas que fossem capazes de “ouvir” as ondas gravitacionais. Eles queriam comprovar o que Einstein formulara no início do século. E assim, surgiram os pioneiros Observatórios de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (LIGO) — o LIGO Hanford Observatory (LHO), no estado de Washington, sede do Hanford Site, localização dos primeiros reatores nucleares do mundo, que produziam plutônio para a bomba atômica que foi lançada em Nagazaki, em 1945; e o LIGO Livingston Observatory (LLO).
Em cerca de cinquenta anos, os pioneiros Weiss, Thorne e Drever motivaram cerca de 1000 cientistas e engenheiros de vários países do mundo para trabalhar no empreendimento. E assim, surgiram laboratórios menos poderosos: VIRGO, uma colaboração italiana e francesa; GEO, na Alemanha; TAMA e KAGRA, no Japão; e o LIGO-IN, na Índia.
   Não tem algum no Brasil?
   Não, aqui só tem Operação Lava Jato.
   Que tal se a gente produzir um buraco negro para jogar os corruptos da Lava Jato?
   Não, não podemos fazer isso. Tinha que ser tão grande que iria sugar muita gente inocente; e além disso, o pessoal politicamente correto iria reclamar da denominação buraco negro.
Mas preste a atenção. Durante mais de quatro décadas, com pertinácia, suor e genialidade, os cientistas conseguiram um extraordinário progresso. Então, em 2015 — com divulgação em 2016, no centenário da formulação da teoria de Einstein —, os interferômetros LIGO de Hanford e de Livingston conseguiram gravar as ondas gravitacionais da fusão de dois buracos negros de aproximadamente trinta massas solares e que foi considerado o mais poderoso evento já detectado desde o “big bang”. A energia das invisíveis ondas gravitacionais equivalem a 100 bilhões de trilhões de vezes a luminosidade do Sol. A gravação da música do universo tem sido considerada uma das maiores descobertas científicas dos últimos cem anos.
   Sim, mas que história é essa do fim do mundo?
   Com certeza, vai acontecer. Daqui a um “googolplex” de anos, o mundo vai se transformar em um único buraco negro.
   E quanto tempo é um “googolplex”?
   É um número que equivale a dez elevado a um “googol”, que por sua vez equivale a 10 elevado a 100. Então, um “googolplex” é um número com mais de 102 algarismos.
Vale dizer, um “googolplex” de anos é um tempo muito maior do que vários trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhão de anos.
   Sabe de uma coisa: estou começando a ficar preocupado.
   Por que?
   E o que a gente vai fazer com os pen drives, os DVDs, os livros e o conhecimento acumulado com tanto sacrifício ao longo da História?
   Sabe que eu não tinha pensado nisso...
   Você não acha que uma saída é começar tudo de novo — um novo “big bang”, uma nova evolução do mundo e assim por diante?
   É possível, mas aí apareceriam dois problemas!
   Quais?
   O primeiro: esperar a evolução de 13 bilhões de anos, após o novo “big bang”. E o segundo: ter que aguentar uma nova Lava Jato. Além disso, o fim do mundo só ocorreria depois de outro “googolplex” de anos.

   Realmente, você tem razão... essa rotina seria muito entediante ...

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[*]   Janna Levin. A Música do Universo: ondas gravitacionais e a maior descoberta científica dos últimos cem anos. Editora Companhia das Letras, 2016.
[**] Um googolplex é:
         10 elevado a 100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (o expoente tem 102 algarismos).
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domingo, 9 de abril de 2017

Ataque na Síria II

Em relação ao texto “Ataque na Síria I”, o meu amigo Otto me enviou um artigo de seu filho André Luiz, que faz mestrado em Luxemburgo, com uma interessante análise das raízes da resposta americana à ignominiosa ação síria com gás venenoso que causou a morte de quase uma centena de civis, aí incluídas várias crianças. Entre outros aspectos interessantes, o André Luiz aborda falhas americanas, falhas russas e a omissão da ONU. Então, resolvi enviar para o Otto a mensagem apresentada a seguir.

Caro Otto,
Excelente o texto do André Luiz. Ele apresentou uma análise adequada e com a profundidade que o meio WhatsApp permite.
Para afundar mais o assunto — ou se quiser, elevar — pode-se considerar a elaboração de um livro com o título “A superpotência dominante do século XX e suas mazelas”. Poderia ter 12 capítulos, entre os quais, à guisa de sugestão, cito alguns:
- O cientista espião soviético no Projeto Manhattan;
- O cientista que se tornou pai do projeto espacial da China;
- A administração do presidente George W. Bush;
- A administração do presidente Barack Obama;
- A eleição e a administração do presidente Donald Trump.
Essa última sugestão seria o décimo primeiro capítulo e serviria para não fugir do assunto motivador.
O tema do livro é mostrar como, mesmo com o enorme poder político, econômico, tecnológico e militar, o país que está na vanguarda não se livra de tropeços, como podem parecer os episódios americanos envolvendo o Trump. Convém ressalvar que Ronald Reagan era considerado, por alguns, trapalhão e desqualificado e tornou-se um dos grandes presidentes americanos — basta citar seu trabalho conjunto com Margaret Thatcher e João Paulo II para o desmoronamento do império soviético.
O capítulo do Projeto Manhattan é para esclarecer como, durante a Segunda Guerra Mundial, numa atividade com o grau de importância e sigilo do desenvolvimento da arma atômica, não se conseguiu enxergar um cientista espião soviético, trabalhando no coração do empreendimento e que entregou o projeto da bomba lançada em Nagasaki para a URSS — e posteriormente também para o chineses.
Em relação a um chinês que fez mestrado e doutorado nos Estados Unidos, na década de 1930, o objetivo é avaliar como uma cobra criada no quintal americano, tornou-se o pai do projeto espacial e de mísseis intercontinentais chineses que estão apontados para os Estados Unidos. Vale lembrar que esse chinês propôs o pioneiro Laboratório de Jato Propulsão ianque; em 1945, foi comissionado coronel do Exército americano para entrevistar os cientistas nazistas; foi preso por estar passando as informações para seu país de origem; e no final da guerra da Coreia, voltou para a China, em uma troca de prisioneiros de guerra.
Alegando a implantação da democracia em países do Oriente Médio — claro, e outras alegações justificadoras — a administração Bush conseguiu enfiar o país e o mundo num enorme atoleiro cujas consequências estamos tratando delas em uma rede social de amigos no Brasil. Mereceria não apenas um capítulo, mas até mesmo um livro exclusivo.
A administração Obama alardeou como grande vitória de política externa, a distensão com Cuba. Para começo de conversa, a ilha enquanto país — e considerando economia, território e população — é equivalente ao estado do Paraná. Qual é o papel mundial do valoroso estado paranaense? Os problemas globais de política externa foram ignorados pelo presidente Obama. Houve omissão da superpotência na Ucrânia, na Crimeia e no Oriente Médio, notadamente, na própria Síria.
Por último e naturalmente o foco do estudo, a eleição e a administração Trump. Sua eleição seria o resultado de administrações insatisfatórias anteriores? Seria uma consequência da evolução tecnológica, voltada para as comunicações? Seria resultante da insuficiência de lideranças — uma característica global da atualidade? Suas primeiras decisões satisfazem o que se requer de um mandatário do país? Que perspectivas ele deixará para a posteridade?

Enfim, aqui estão parcelas de aspectos a serem tratados no texto. Evidentemente, o último capítulo deveria apresentar um conjunto de cenários resultantes do que foi exposto e analisado. Hipóteses sobre o futuro seriam ser delineadas. Certamente, as previsões não se confirmarão da forma como foram formuladas. A realidade seria diferente, mas provavelmente, situar-se-ia no interior do limite dos cenários extremos.
Fraternamente,
ARS