terça-feira, 27 de setembro de 2016

Sumário

2016

Os meninos de Brasília
Sonhar para vencer a utopia
Herança ética e espiritual
Protestos furiosos dos lulopetistas
Não tão tarde
Indigência de estadistas e outras
Dilemas corruptivos
Gratidão da sociedade
Blindagem da Operação Lava Jato
A virtude como norma
Contradição do poder
Assalto ao sítio em Atibaia
Brasil surreal
Tempos de resiliência
Patologia social, política e jurídica
Construção de um país solidário e justo
Prevalência da justiça
Pedra fundamental da democracia
Responsabilidade
Pensar com liberdade, atuar com independência

2015
Operação Lava Jato
Os militares e a democracia
A essência da democracia
Golpe institucional
Fronteira do insustentável
Honra e liderança
Canção do Expedicionário e Hino Nacional
A derrota do comunismo no Brasil
Polêmica da irresponsabilidade - III
Polêmica da irresponsabilidade - II
Polêmica da irresponsabilidade - I: Moral, reputação e biografia
Pedaladas e governabilidade
Decência, ética e respeito
ONU Vinci 2015 - Proposta de Resolução #1
ONU Vinci 2015 - Documento de Posição da Alessandra
ONU Vinci 2015 - O Paquistão e as energias renováveis
O ensino e a essência do regime democrático
Legitimidade eleitoral e ética
Mensagem para a Apple
Fatos e factóides -- ética, mentira e corrupção
Mensagem para o sobrinho Giovanni
A verdade
Pais autoritários ou pais com autoridade?
A punição de Neymar e os parafusos trocados
Investimentos chineses no Brasil
O maior jogador de futebol de todos os tempos
Só a mudança é permanente
Sabatina de candidato a Ministro do STF
O nascimento de Laura
Reagir ou piorar
Senso ético de senhoras idosas
Picaretas e achacadores
Velha senhora
Cidadãos, políticos e intelectuais
Cômico se não fosse trágico
Sócrates, Zamperini e Hawking
Clostermann e Saint-Exupéry
Dúvida não-socrática: irritar-se ou não?
Otimismo incorrigível

2014
Distensão Estados Unidos versus Cuba
Práxis política
Autonomia tecnológica e estratégica
Bolsa-esmola e bolsa-caviar
Um salto para frente
Mensalão e pré-salão
Lideranças despreparadas
Hannah Arendt e Marina Silva
A eleição presidencial de 3 de outubro
Satisfação, coincidência e estranheza
De Rochedo para La Rochelle, .... e Bélgica
A grande oportunidade
Zuniga and Neymar - Message to New York Times
Indigência intelectual e pobreza de estadistas
Moral superiority - Message to New York Times
A abertura da Copa do Mundo e as ofensas correlatas
Memórias -- Um brasileiro no dia D e os brasileiros na Itália
A vida oculta de um ditador
Duvido, logo penso, logo existo
Suíte presidencial na Papuda
O flagelo petista (ou a conectividade entre futebol, política, ciência e música)
Coragem intelectual e ética
Por que no te callas?
Demanda-se oposição
Metáfora petista

2013
Quadrilha dos onze
Apenas a verdade
O que pode e o que não pode
Talento, trabalho, produção e poupança
Pensar e inovar
A better notion of History -- Message to New York Times
Uma Cubona

2012
Alternância de poder
Recuperação dos presídios brasileiros
Comissão da verdade
Harmonia, fraternidade e justiça em sintonia com a verdade

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Os meninos de Brasília


          No âmbito da Operação Lava Jato — na qual a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal de Curitiba empreendem rigoroso combate à corrupção no Brasil — os seguintes fatos ocorridos no mês de setembro do corrente ano merecem destaque:
          – o acolhimento pela Justiça Federal de Curitiba de denúncia,  contra Luis Lula da Silva, ex-presidente da República, e contra sua mulher Letícia da Silva,  tornando-se ambos réus a serem julgados naquela instância judicial — Lula reagiu com acerbas críticas à atuação dos integrantes da Operação Lava Jato, referidos por ele como "meninos de Curitiba"; 
          – a prisão de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Lula — posteriormente liberado porque estava acompanhando sua esposa em ocorrência médica no hospital Alberto Einstein, em São Paulo;
          – a prisão de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula e ex-Chefe da Casa Civil do governo Dilma.

          Hoje, em face de proposta do Ministério Público Federal, ainda no âmbito da Operação Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal acolheu denúncia do Ministério Público Federal e tornou  réus a senadora Gleisi Hoffmann, ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma e seu marido Paulo Bernardo, ex-ministro do governo Lula.
          
          Então, enviei por intermédio de Isabel a seguinte mensagem para o jornal O Estado de São Paulo: 

          "Como se não bastassem os meninos de Curitiba, agora são esses meninos de Brasília! Que perseguição! Mas bandidos devem ser perseguidos — pela lei, pela justiça e pela democracia; que eles tão bem desconhecem!" IKSRS


sábado, 24 de setembro de 2016

Sonhar para vencer a utopia


      [Mensagem acolhida pelo jornal O Estado de São Paulo e divulgada em seu Fórum de Leitores, versão eletrônica, de 27/09/2016]

O editorial A Lava Jato fica e a tigrada passa (Estadão, de hoje, 24 de setembro) menciona “a alegria e orgulho dos brasileiros honestos”, no bojo de excelsa avaliação da marcha saneadora desencadeada pelos organismos democráticos contra a corrupção oficial. E encerra com otimismo pela possível permanência do processo para livrar o aparelho estatal de suas enfermidades institucionais. É oportuno solidarizar com as ideias contidas naquele texto.
No livro Trópicos utópicos, mercê de uma minimalista e cirúrgica análise do pensamento ocidental e mundial, Eduardo Giannetti cogita de uma civilização brasileira baseada “na biodiversidade da nossa geografia e a na sociodiversidade da nossa história”. Ele conquistou o mérito de pensar o Brasil, mas tudo indica que optou por ignorar o varejo atual: o que líderes da maioria dos partidos políticos estão aprontando nos recônditos do metabolismo sócio-político e econômico ancorado em Brasília. Não há diversidade. O padrão comportamental é similar, em uma parcela expressiva da extrema esquerda à extrema direita — se é que podemos caracterizar dessa forma esses canalhas da falsa representação popular nos poderes da República.
Há esperança? Claro! Assim, para começar, os bandidos, os corruptos e os desonestos de quaisquer longitude e latitude devem ser perseguidos pela justiça, pelo sistema democrático, e pelos que prezam a decência, a moral e a ética — enfim, por todo o aparato do Estado, com a finalidade precípua de proteger os cidadãos que conformam a sociedade e a Nação brasileiras.
Essa atitude e aspiração têm fundamento não apenas nos enormes prejuízos causados ao País, mas também no fato de que os políticos corruptos não se importam nem mesmo com a desmoralização de suas próprias famílias. De forma inequívoca, constata-se que eles envolvem despudoradamente esposas, filhos e filhas no mar de lama em que não hesitam em chafurdar. Não há limite para a ação criminosa desses líderes.
Nesse sentido, avante Polícia Federal, Ministério Público da União, Receita Federal  e Justiça Federal. E sejam implacáveis com a corja que dominou as altas esferas governamentais da República; sejam implacáveis com todos que zombam, desrespeitam, desmoralizam o bom senso, a lógica, a razão, a justiça e a emoção das pessoas de boa fé.

Do êxito da ação institucional em curso, poderá prevalecer — em oposição ao histórico e duradouro varejo — a diversidade histórica que o sr. Giannetti está propondo como fundamento de rumos próprios para o Brasil. Imagino que a visão que seu talento explicita não é apenas uma brincadeira utópica de uma mente grandiosa: é um sonho a perseguir, durante todo o tempo, em todos os lugares e por todos os cidadãos; com coragem, pertinácia e comprometimento.

domingo, 18 de setembro de 2016

Herança ética e espiritual


[Mensagem acolhida pelo jornal O Estado de São Paulo e divulgada em seu Fórum de Leitores, versão eletrônica, de 18/09/2016]

A História nos mostra que, há mais de dois mil anos, Sócrates e Jesus foram acusados pelos sistemas políticos então vigentes, condenados e executados pelos supostos crimes que cometeram. O que é extraordinário na trajetória de ambos é que nenhum deles negou os fatos que geraram as acusações de que foram vítimas. Pelo contrário, assumiram cabalmente a autoria e as responsabilidades do que fizeram, pagaram com a vida pelo desassombro com que agiram e se tornaram grandes referências em todas as sendas da vida subsequentes. Por via de consequência, mais do que qualquer outro, Sócrates aproximou cada ser humano da ética e da decência. Por seu turno, Jesus aproximou cada ser humano da condição divina. Mesmo os divorciados dos valores maiores do ser humano e mesmo aqueles descrentes em Deus não negam as virtudes de ambos enquanto guias filosóficos e espirituais da Humanidade.
O que constatamos atualmente no que diz respeito a líderes de nosso maltratado País? Diante de indícios, evidências e provas inequívocos, José Dirceu, Dilma Roussef, Eduardo Cunha e — agora, de forma emblemática — Luís Lula da Silva negam acintosa e descaradamente os malfeitos de que são acusados; ignoram a verdade, a liberdade e a justiça; afrontam as estruturas essenciais da democracia; desconsideram as noções comezinhas de estado democrático de direito; e desdenham do bom senso, da integridade e da inteligência de seus contemporâneos. Que herança esses líderes transmitem para os brasileiros? A herança consequente está na primeira página de cada jornal, na abertura de cada noticioso televisivo, nos títulos de cada sítio eletrônico: a crise, a corrupção, o desemprego e a desmoralização de nosso combalido país; e, como lamentável corolário, a indignação e a desesperança.
Resta apenas uma certeza: os líderes citados evaporarão na poeira do tempo e cairão no esquecimento, exceto pela malversação e conspurcação do bem público que praticaram. E o universo dos brasileiros será melhor, não por causa deles, mas apesar deles. Eles se prestam apenas para que, por efeito de ação e reação, possamos fortalecer ainda mais a decência e a ética, bem como os valores e as virtudes espirituais herdadas de Sócrates e Jesus, respectivamente.