terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sumário

2017
Maconha, glamourização e realidade
Transformação
Presídios brasileiros

2016
A democracia brasileira
Constituição e os supersalários
Reconstrução da Chapecoense
Virtude ou delito
Ser, pensar, saber e a verdade
O estadista e a liturgia da decisão
Templo da democracia
Pacto humano
Hipotética fuga de Lula
Covardia
Ocupação das escolas
Transformações
IDEIA
Plano estratégico para o Brasil
Lentidão e leniência supremas
Falecimento do Carlos Alberto
Aprendizado na Suprema Corte
Transformações sociais e políticas
Justiça e paz social
Ensinamentos históricos
Os meninos de Brasília
Sonhar para vencer a utopia
Herança ética e espiritual
Protestos furiosos dos lulopetistas
Não tão tarde
Indigência de estadistas e outras
Dilemas corruptivos
Gratidão da sociedade
Blindagem da Operação Lava Jato
A virtude como norma
Contradição do poder
Assalto ao sítio em Atibaia
Brasil surreal
Tempos de resiliência
Patologia social, política e jurídica
Construção de um país solidário e justo
Prevalência da justiça
Pedra fundamental da democracia
Responsabilidade
Pensar com liberdade, atuar com independência

2015
Operação Lava Jato
Os militares e a democracia
A essência da democracia
Golpe institucional
Fronteira do insustentável
Honra e liderança
Canção do Expedicionário e Hino Nacional
A derrota do comunismo no Brasil
Polêmica da irresponsabilidade - III
Polêmica da irresponsabilidade - II
Polêmica da irresponsabilidade - I: Moral, reputação e biografia
Pedaladas e governabilidade
Decência, ética e respeito
ONU Vinci 2015 - Proposta de Resolução #1
ONU Vinci 2015 - Documento de Posição da Alessandra
ONU Vinci 2015 - O Paquistão e as energias renováveis
O ensino e a essência do regime democrático
Legitimidade eleitoral e ética
Mensagem para a Apple
Fatos e factóides -- ética, mentira e corrupção
Mensagem para o sobrinho Giovanni
A verdade
Pais autoritários ou pais com autoridade?
A punição de Neymar e os parafusos trocados
Investimentos chineses no Brasil
O maior jogador de futebol de todos os tempos
Só a mudança é permanente
Sabatina de candidato a Ministro do STF
O nascimento de Laura
Reagir ou piorar
Senso ético de senhoras idosas
Picaretas e achacadores
Velha senhora
Cidadãos, políticos e intelectuais
Cômico se não fosse trágico
Sócrates, Zamperini e Hawking
Clostermann e Saint-Exupéry
Dúvida não-socrática: irritar-se ou não?
Otimismo incorrigível

2014
Distensão Estados Unidos versus Cuba
Práxis política
Autonomia tecnológica e estratégica
Bolsa-esmola e bolsa-caviar
Um salto para frente
Mensalão e pré-salão
Lideranças despreparadas
Hannah Arendt e Marina Silva
A eleição presidencial de 3 de outubro
Satisfação, coincidência e estranheza
De Rochedo para La Rochelle, .... e Bélgica
A grande oportunidade
Zuniga and Neymar - Message to New York Times
Indigência intelectual e pobreza de estadistas
Moral superiority - Message to New York Times
A abertura da Copa do Mundo e as ofensas correlatas
Memórias -- Um brasileiro no dia D e os brasileiros na Itália
A vida oculta de um ditador
Duvido, logo penso, logo existo
Suíte presidencial na Papuda
O flagelo petista (ou a conectividade entre futebol, política, ciência e música)
Coragem intelectual e ética
Por que no te callas?
Demanda-se oposição
Metáfora petista

2013
Quadrilha dos onze
Apenas a verdade
O que pode e o que não pode
Talento, trabalho, produção e poupança
Pensar e inovar
A better notion of History -- Message to New York Times
Uma Cubona

2012
Alternância de poder
Recuperação dos presídios brasileiros
Comissão da verdade
Harmonia, fraternidade e justiça em sintonia com a verdade

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Maconha, glamourização e realidade

[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores eletrônico do Estadão em 17/1/2017]
No excelente artigo Maconha, glamourização e realidade (Estadão, 16/1, A2), o sr. Carlos Alberto Di Franco aponta as premissas frágeis da legalização da maconha no Uruguai, revela os danos ao cérebro causados por seu uso e aponta as possíveis consequências negativas para sua liberação no Brasil. Por fim, o sr. Di Franco encerra seu texto com inexcedível alerta para o impacto sobre a juventude e para ações preventivas que as autoridades deveriam adotar.
Gostaria de acrescentar que, de acordo com o testemunho da dra. Frances E. Jensen, em seu livro O cérebro adolescente — e conforme artigo publicado por Rebecca Kuepper et al, no British Medical Journal —, "um estudo realizado na Grã-Bretanha encontrou provas corroborativas da conclusão de que o uso da maconha é um importante fator causal no desenvolvimento da esquizofrenia". É preciso notar que não se trata de a maconha apenas contribuir para o surgimento dessa terrível doença, mas de inserir mudanças no cérebro que causam seu desenvolvimento.
Citando pesquisadores do Instituto Holandês de Saúde Mental e Dependência, que acompanharam 2 mil participantes durante toda a adolescência, a dra. Jensen assevera que "o uso de maconha nos primeiros anos dessa fase pode acelerar a instalação da síndrome psicótica e aumentar o risco da esquizofrenia". Ademais, "mesmo sem fumar maconha, os adolescentes com história familiar da doença (esquizofrenia) têm mais ou menos uma chance em dez de desenvolvê-la. Entretanto, o uso da maconha duplica esse risco, fazendo com que ele passe a ser de uma chance em cinco. Os adolescentes sem história familiar, segundo constataram os pesquisadores, têm uma probabilidade de sete para mil de desenvolver uma doença psicótica, o que duplica quando fumam maconha regularmente". É imperioso ressaltar que há pessoas que não seriam acometidas de esquizofrenia, mas se fizerem uso da maconha podem sofrer os danos dessa doença.
A dra. Jensen ensina, também, que um cientista do Centro de Dependência e Saúde Mental do Canadá "fez um levantamento de mais de 14 mil pessoas e descobriu que os que fumavam maconha quase todos os dias não só tinham duas vezes mais probabilidade de sofrer de psicoses, como eram também duas vezes mais vulneráveis à ansiedade e aos distúrbios do humor, especialmente a depressão".
Poderia seguir adiante nas citações bibliográficas para mencionar os efeitos maléficos da maconha nos transtornos alimentares e de ansiedade e no transtorno bipolar. Mas basta. O que já foi mencionado é suficiente para destacar o acerto e a veracidade das magníficas considerações do sr. Di Franco, especialmente no que tange ao insuspeito conhecimento que ele coloca à disposição das autoridades brasileiras responsáveis pela construção dos estatutos legais que sirvam para prevenir a juventude brasileira desse flagelo terrível.
É oportuno, ainda, aduzir que o cigarro e o álcool são prejudiciais à saúde e são amplamente liberados. Pois bem, milhões os consomem com pouca ou nenhuma limitação legal. É o que queremos para a maconha e outras drogas? Não conseguimos combater o tráfico de drogas, então liberamos o seu uso? Há algo parecido no setor educacional: o Estado não consegue oferecer educação com qualidade, então libera cotas a torto e a direito. Há algo similar na segurança pública: o Estado não consegue combater o tráfico ilícito de armas (origem das mais utilizadas pela criminalidade), então proíbe o seu porte pelos cidadãos de bem. Em realidade, as decisões citadas poderiam até ser fundamentadas na necessidade, na lógica e na razão e poderiam ser convenientes e necessárias; mas não para solucionar a proverbial e eterna (até quando?) desqualificação gerencial de nossos governantes.

Obviamente que a liberalização do uso da maconha impactaria com contundência os adolescentes, aqueles cujo cérebro ainda está em desenvolvimento e consolidação — impactaria sobretudo os menos favorecidos, destituídos de recursos para amparo e possível recuperação — e constituir-se-ia, pois, em enorme desserviço à construção de uma sociedade fraterna, solidária e justa. Que haja comprometimento, capacidade e coragem no seio dos representantes da cidadania.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Transformação

[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores eletrônico do Estadão em 7/1/2017]
A revolta, a indignação e a pena manifestada por autoridades, intelectuais, políticos e outros cidadãos, no atinente aos massacres de detentos em Manaus e Boa Vista são exageros que se distanciam da razão e da lógica. Não se constata a mesma atitude com cerca de 280 assassinatos e mortes no trânsito, ocorridos diariamente no Brasil — enfatize-se: diariamente.
É imperioso asseverar que, com aritmética de comprar banana na feira, constata-se que 60.000 assassinatos e 45.000 mortes no trânsito, por ano, correspondem a mais de 280 mortes por dia.
Nesse sentido, 105.000 cidadãos perecidos equivalem a 233 participações do País em conflagração similar à Segunda Guerra Mundial — basta lembrar que 25.000 soldados brasileiros combaterem na Itália na década de 1940 e cerca de 450 sacrificaram a vida no campo de batalha.
Ademais, se quisermos comparar com a Contrarrevolução de 1964 e supondo que cerca de 550 pessoas pereceram na contenda (considerando-se os dois lados adversários), é fácil inferir que as perdas anuais por assassinato e no trânsito equivalem a cerca de 190 conflitos similares.
Por último e igualmente chocante, em menos de 5 anos, em assassinatos e acidentes de trânsito, o Brasil perde mais cidadãos do que a Síria, na famigerada e fraticida guerra em andamento naquele país.
Não há fundamentação lógica para o comportamento de avestruz, explicitado nas primeiras linhas desta mensagem — à guisa de ênfase, abraço o desatino de afirmar que se coloca a mente no esgoto submerso, sendo que o esgoto encontra-se também inexcedivelmente a céu aberto, e não raro esquecido.

Com certeza, precisamos de uma transformação em nosso país, na política, na justiça, na segurança, nos transportes, na educação e na saúde — com prioridade para as favelas. Que lutemos por isso, em pensamento e ação! Em qualquer tempo, em qualquer lugar! De dia e de noite, no lar, no trabalho, no lazer, na igreja, na escola, na mídia, no parlamento e nos tribunais! Porém, sem hipocrisia!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Presídios brasileiros


Para iniciar o equacionamento dos problemas dos presídios brasileiros — em realidade, iniciar a mitigação, já que a solução só é possível se eliminarmos a condição humana —, deve ser adotada de imediato a eliminação de contato físico entre detentos e seus visitantes. Eles podem se comunicar através de interfone e se olhar através de um vidro transparente à prova de bala. De imediato, tem-se a impossibilidade de entrega de dinheiro, celulares e armas para os detentos. E como corolário, reduz-se enormemente a continuação da prática delituosa, como, por exemplo, o exercício da liderança de atividade criminosa de dentro das celas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A democracia brasileira

[Mensagem divulgada no Fórum de Leitores impresso  do Estadão de 9/12/2016]
Se o cidadão se torna réu, então não pode continuar presidente da República. De forma similar, réu não pode, eventualmente, substituir o chefe do Poder Executivo, bem como continuar Presidente da Câmara dos Deputados. Porém, conforme ficou evidenciado no julgamento procedido ontem pelo Supremo Tribunal Federal, réu não pode substituir o presidente da República, mas pode continuar presidente do Senado e do Congresso Nacional.
Apenas para não esquecer, onde se encontra a definição desses procedimentos da República? Na Constituição. Quem dirime as dúvidas resultantes dos preceitos constitucionais? O Supremo Tribunal Federal, cujo presidente se encontra na linha de sucessão do mais alto mandatário do País.
Quer dizer que se o presidente da Suprema Corte se torna réu, ele (ou ela!) não pode, eventualmente, substituir o Presidente da República, mas pode continuar presidente do mais alto órgão do Poder Judiciário?

Então, o que significam o Senado e a Suprema Corte para a sociedade? Dado que podem ser liderados por cidadão formalmente acusado de crime, qual é o valor ético de cada integrante desses dois poderes da República e qual é seu valor financeiro para o conjunto dos cidadãos? O que valem esses senhores e senhoras para a evolução da democracia brasileira? Ou, de outro prisma, que democracia queremos?